terça-feira, 20 de maio de 2008

Eu...

"Eu sou aquela mulher que fez

a escalada da montanha da vida

removendo pedras e plantando

flores".

(Cora Coralina)



sábado, 17 de maio de 2008

Ausência ...


Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada,

aconchegada nos meus braços,

que rio,danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond.de Andrade)



sexta-feira, 16 de maio de 2008

Não Sei...

Não sei se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que
vivemos tem sentido,
se não tocarmos o coração
das pessoas.
***
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promover.
***
E isso não é coisa de outro mundo
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja
nem curta,nem longa demais.
Mas que seja intensa,
verdadeira e pura.
Enquanto durar.
***
(Cora Coralina)




segunda-feira, 28 de abril de 2008

Certeza...

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos
sempre recomeçando;
A certeza de que é
preciso continuar;
A certeza de que podemos
ser interrompidos
antes de terminar...

Façamos da interrupção
um novo caminho;
Da queda um passo de dança;
Do medo uma escada;
Do sonho uma ponte;
E da procura...um encontro.
(Fernando Sabino)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Lugares e Coisas

Lugares e Coisas


Sou o templo
dos meus tantos deuses
criados a esmo e à revelia
para amparar os meus tormentos
para estancar minha sangria

***
Sou a vila
das minhas casas
das tantas e tantas moradas
das lembranças que ficaram
e de tantas que sumiram

***
Sou o relógio
do meu tempo
das minhas horas contadas
dos meus dias de labuta e espera
dos meus dias de ócio e preguiça

***
Sou o livro
da minha vida
dos meus encontros e desencontros
das minhas chegadas e partidas
de tantos sonhos negados
mas outros tantos vividos
do meu riso e do meu pranto
das tantas páginas não lidas

***

terça-feira, 1 de abril de 2008

Poesia sem Sabor


Por mais que eu queira,
não sei das verdades à luz do dia.
Tudo o que eu queria era a poesia
que existia em acordar apressada,
pintar os olhos, alimentar os filhos,
estacionar numa vaga qualquer,
e sorver os rostos que não se sabiam observados.
***
Felicidade não rima com poesia.
Poesia só aparece quando sobra tempo,
quando já não se está ocupado sendo feliz.
***
O silêncio tem sempre dois significados,
e a saudade é a mortalha derradeira de um tempo
que não se quer findo.
A saudade tem mania de aguçar a memória,
de pintar os dias idos de cor-de-rosa,
e acinzentar o que não tem mais.
***
Meu tempo não segue as folhas do calendário,
e hoje não me entendo em vinte e quatro horas.
Nada me alegra tempo suficiente para virar lembrança.
Nada me pertence ou me é destinado.
É como se a areia da ampulheta tivesse acabado
e eu não tivesse me dado conta.
***
E daí?
Preciso apenas escrever lembranças
e versos com sabor de gestação.
Preciso das gargalhadas
e dos choros de madrugada,
dos beijos nas manhãs despercebidas,
da sensação de segurança
e proteção de um amor prometido.
***
A mulher feiticeira está distante das fogueiras,
e a poesia foi dormir mais cedo,
numa cama pequena,que não me cabe,
sob um edredom macio com cheiro de novo.
***
Não sei mais nada desde há muito tempo,
quando a areia deixou de escoar os sonhos,
e todos os vidros se partiram em estilhaços de passado.
O tempo passa,
mas não tenho mais vontade de viajar na incerteza,
depois de todas as certezas desfeitas.
***
As paixões deixam gosto amargo e palavras soltas.
Deixam imagens desconexas e sensação de fracasso.
Não existe verso que me devolva a ilusão.
***
Não quero mais verdades e descobertas,
quero a mentira que me embalava os anos
e me definia os horizontes.
***
Onde estão as ilusões?
Os planos e sonhos de madrugadas à luz de velas?
Mas eu sei que o meu trem passou em disparada,
me deixando na estação, sem nome e sem rumo.
***
Não posso voltar e não sei para onde ir.
Então me sento no banco, ao lado de tantos indigentes que,
no fim das contas, amaram.
(Lilian Maial)

terça-feira, 25 de março de 2008

*SURFISTAS DA VIDA*

Somos todos surfistas da vida!
Deslizamos pelas ondas da experiência em nossos corpos-prancha,
fazendo evoluções em meio aos movimentos do mar de energia
onde nos manifestamos.
Podemos surfar pela vida com graça e alegria
ou podemos quebrar a cara em tombos violentos,
se não tivermos a habilidade necessária.
Viver é surfar! Vida é movimento!
Há muitos oceanos, na Terra e além...
E muitas ondas a conhecer, muitas pranchas e muitas evoluções...
Oxalá possamos transformar nossos corpos em pranchas de sabedoria
e possamos surfar com maestria e amor nesse imenso oceano da Criação.
Possamos aprender com nossos tombos,
pois surfar é preciso...
Aqui na Terra,temos corpos-prancha de várias cores:
negros, amarelos,vermelhos e brancos.
Mas,os surfistas que ocupam essas pranchas são de uma só cor:
a cor da Luz!
Sim, são da mesma cor de Deus!
São da cor da imortalidade!
Pois é, meus amigos surfistas, haja ondas, pranchas, tombos,
evoluções e luz nesse universo de Deus.
Mas, uma coisa as ondas do tempo e da experiência ensinaram-me:
mudam-se as pranchas e os mares, as ondas sobem e descem,
mas os surfistas prosseguem na crista da onda da Eternidade.
São surfistas espirituais nas ondas de Deus...
Parabéns aos surfistas que viajam nas ondas da música,
da poesia,da espiritualidade,do sorriso, e da simplicidade
que agradecem e celebram a magia de viver, sem esperar reconhecimento
ou algum paraíso,
mas, apenas a alegria de surfar nas ondas da vida
com dignidade e simpatia.
(Wagner Borges )

quarta-feira, 19 de março de 2008

Depois de dizer esta dito...

Depois de dizer esta dito...
De tudo o que aprendi
Ficou uma importância:
A palavra é que faz a hora.
Mudam as estações,
muda o mundo
Muda a vida.
A palavra dita permanece.
Com o tempo, amarelece na lembrança
Chega a ficar quase branca.
Ainda assim é nódoa.
(Sílvia Câmara)

sexta-feira, 14 de março de 2008

Rascunho

Quando escrevo
não sei onde chegar.
Percebo o ponto
ao ultrapassa-lo.
O excesso me equilibra.

Reflito-me nos

espaços vazios

entre os poemas.
Nunca nos versos.

Invejo a ausência,
somente o vazio não tem um dono.
O resto é criação de alguém.

Incansável,
procuro pelas palavras
que me inventaram.
Sou órfão de letras.

Desconfio da expressão correta,
do poema exato.
A escrita engana,
inexiste palavra verdadeira.

Como encontrar uma copia fiel?
Como imitar com perfeição?

Tudo que escrevemos e falamos
é imitação.
Só o silêncio é original.

(Fernando Palma)

sexta-feira, 7 de março de 2008

Samsara...

...Roda da Vida...
1.Caminho pela rua.
Há um profundo buraco no passeio
e caio lá dentro.
Estou perdido... não sei que fazer.
A culpa não é minha,
Preciso de uma eternidade para descobrir a saída.

2 . Caminho pela mesma rua.
E lá está um grande buraco no passeio.
Finjo que não o vejo.
Caio outra vez.
Custa-me a acreditar que esteja no mesmo lugar
Mas a culpa não é minha
Ainda preciso de tempo para sair.

3. Caminho pela mesma rua.
Há um profundo buraco no passeio.
Vejo que lá está.
Mas caio... Já é um hábito.
Tenho os olhos abertos,
Sei onde estou
Mas a culpa é minha.
E saio imediatamente.

4. Caminho pela mesma rua.
Há um grande buraco no passeio.
Passo ao lado.

5. Caminho por outra rua!!!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

* Noturno *



Noturno
Tua sombra ficou carimbada
na parede de minha choupana,
e quando vem a escuridão,
tu voltas para assombrar
a minha existência.


E eu, como um menino
que brincou com fogo
neste momento
sinto me vir o medo
e oro para que logo
venha a manhã salvadora.


Percebo que o fim do sonho
trouxe-me a tua ausência
uma saudade imensa de ti
quase um banzo,
invade meu pequeno mundo
e te sinto correndo nas minhas veias
tornando-me irremediavelmente
perdido no teu vício.


E quando acordo
curumim
vivo mais um dia
à espera que a noite volte...

...e tu também!
(Claudio Cardoso)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Alma de Mulher

1.Todas as mulheres sabem que no fundo de si mesma moram muitas outras figuras femininas. Algumas poderosas, outras frágeis; algumas velhas, outras bem jovens. Todas adoram falar e falar, como se o mundo antes de existir,precisasse ser dito.

2.Todas as mulheres conhecem a dor e nenhuma é estranha ao sofrimento. Mas, no final, quando a noite se retira solene, carregando seu véu, a maioria de nós espreguiça e recebe o dia com generosidade renovada e a mesma velha esperança sorrindo nos lábios.

3.Todas as mulheres um dia (ou muitos) se sentiram alheias a si mesmas. E perderam-se num mar de irritação, mau-humor e impaciência. Exaustas mergulharam num Lexotan, em vários copos de vinho, num maço inteiro de cigarros, numa banheira escaldante ou no mais puro desespero. Algumas sucumbiram, só algumas. Como resultado, todas nós carregamos no coração o silêncio desta perda. E reconhecemos com reverência o poder destes abismos.

4.Todas as mulheres, mesmo as muito jovens, sabem que ser mulher é um desafio. Sentem isso no próprio corpo, ou no mínimo desconfiam que irão passar um bocado de tempo tentando provar coisas para o mundo. Nascer mulher, em boa parte do planeta, ainda é afirmar-se acima do destino biológico e apesar das circunstâncias.

5.Todas as mulheres pensam que sabem amar. Mas o amor insiste em rir de nós. E desafia nossas desajeitadas tentativas de dominá-lo ou compreendê-lo. O amor parece um gato que só vem para o nosso colo quando já cansamos de chamar. Aí,a gente ri e ele ronrona sua absurda liberdade enquanto recebe nosso afago no pescoço.

6.Nenhuma mulher deseja a felicidade assim de um jeito genérico. É o encantamento que sentimos quando cumprimos nosso destino de mulher, (que buscamos acima de tudo). E isto inclui muitas coisas bobas, como vestidos novos e cores e mais cores de sapatos, e tantas outras nada bobas, "ele". De preferência, um "ele apaixonado", mas não muito, bonito, mas não muito, inteligente, mas não muito, apaixonado por crianças, mas não tanto quanto por nós, e, o toque final: que surja sempre assim com aquele jeito heróico e descabelado de quem acabou de matar um dragão, por "Nós".

7.Todas as mulheres têm medo. Medo do primeiro beijo, do primeiro encontro, do primeiro emprego, medo de casar, medo de não casar, medo do parto, medo da traição, medo de não conseguir, medo de envelhecer, medo de dizer sim. A cada instante, nossos medos podem nos fazer trancar os dentes, afinar o olhar e ousar o salto. (Ou podem nos empurrar encolhidas para dentro de uma caixa de sapatos. Onde ficamos grudadas, olhando o mundo por um buraquinho...)

8.Todas nós temos um sonho. Nem sempre é um daqueles sonhos nobres, como o de Martin Luther King,que ansiava por um mundo no qual os seres humanos fossem iguais em suas múltiplas e coloridas versões.Não,nossos sonhos muitas vezes são:pequenos; como um jardim ou um carinho; engraçados:usar toda a poupança para ficar com um bumbum igual ao da beldade de plantão na TV; românticos: um cruzeiro pela Grécia, com um grego lindo e de peito largo, absolutamente apaixonado por nós; impossíveis: passar pela vida sem sofrer por amor.

9.Todas nós temos uma sombra. Negra e densa. Ora ela aparece como um sabotador, que mina nossas energias e desmerece nossos esforços. Ora como uma mulher dura e fria, de palavras ásperas e julgamento impiedoso. Não importa como ela venha, você vai reconhecê-la sempre: a sombra tem o seu rosto. Também é fácil reconhecer aquelas entre nós que não ousaram olhar de frente para este rosto transformado. Elas parecem árvores ressequidas e seus ramos balançam sem alegria. Quem se alimenta dos frutos murchos destas árvores experimenta seu sabor ressentido e intolerante. Eventualmente, as tempestades partem ao meio troncos tão secos. Ninguém sente muita falta delas.

10.Todas nós sentimos vez por outra uma vontade de parar de bater as asas na vidraça e aquietar a alma. Esta é a hora de construir um templo para acolher nosso ser feminino. Um lugar onde a gente possa ficar só com nossos mistérios, nossas descobertas e pescar no fundo da alma o encantamento que vai nos tornar, de novo, muito orgulhosas de nós mesma...
(Desconheço a Autoria)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Mundo Interior...

“Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies inviolávies, vales de silêncio e paraísos secretos”… (Saint-Exupéry)