segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Perdi...


...Perdi alguma coisa que me era essencial,
e que já não me é mais. Não me é necessária,
assim como se eu tivesse perdido uma terceira
perna que até então me impossibilitava de andar,
mas que fazia de mim um tripé estável.
Essa terceira perna eu perdi.
E voltei a ser uma pessoa que nunca fui.
Voltei a ter o que nunca tive:
apenas as duas pernas.
Sei que somente com as duas pernas
é que posso caminhar.Mas a ausência inútil
da terceira me faz falta e me assusta,
era ela que fazia de mim uma coisa encontravel
por mim mesma, e sem sequer precisar
me procurar...
(Clarice Lispector)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Meu Aniversário...


Prestes a fazer aniversário
Me pego, desejando-me Felicidades.


Estranho alguém desejar o melhor para si,
Mas é o que no momento me ocorre.


Desejo que minhas vontades sejam
todas satisfeitas!


Que meus amigos sejam cumplíces,
com quem exploro riachos e cachoeiras
dentro de mim...


Que eu tenha coragem para viver,
coragem para lutar pela vida...
coragem para ser feliz...


Que tenha ousadia e uma vontade
enlouquecida de ser apenas Eu,
com todos os riscos e perigos...


Que meu interior procure a iluminação;
Minha fé nunca se abale,
Minha esperança nunca esmoreça...


Que o espírito de menina jamais me deixe,
E que nunca me falte amor no coração...


E sobretudo que Deus continue ao meu lado,
Não só neste meu aniversário
Mas em todos os outros que ainda me restam...



Feliz Aniversário para mim!!!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Alquimista...


Eu, alquimista de mim mesma.
Sou uma mulher que se devora?
Não, é que vivo em eterna mutação,
com novas adaptações a meu renovado
viver e nunca chego ao fim de cada
um dos meus modos de existir.
Vivo de esboços não acabados e vacilantes.
Mas equilibro-me como posso entre mim e eu,
entre mim e os homens, entre mim e o Deus.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Aprendi e Decidi...


E assim,depois de muito esperar,
num dia como outro qualquer,
decidi triunfar...


Decidi não esperar as oportunidades
e sim,eu mesma buscá-las.


Decidi ver cada problema
como uma oportunidade de
encontrar uma solução.


Decidi ver cada deserto
como um oásis.


Decidi ver cada dia como uma
nova oportunidade de ser feliz.


Naquele dia, descobri que meu único rival
não era mais que minhas próprias limitações
e que enfrentá-las era a única
e melhor forma de superá-las


Naquele dia,descobri que eu não era o melhor
e que talvez eu nunca tenha sido.


Deixei de me importar com quem ganha
ou perde,agora, me importa simplesmente
saber melhor o que fazer.


Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima,
e sim não deixar de subir.


Aprendi que o melhor triunfo que posso ter,
é ter o direito de chamar a alguém de "Amigo".


Descobri que o amor é mais que um simples
estado de enamoramento,
"o amor é uma filosofia de vida".


Naquele dia,deixei de ser um reflexo
dos meus escassos triunfos passados
e passei a ser a minha própria tênue
luz deste presente.


Aprendi que de nada serve ser luz se
não vai iluminar o caminho dos demais.


Naquele dia,decidi trocar tantas coisas...


Naquele dia,aprendi que os sonhos são
somente para fazer-se realidade.


E desde aquele dia,já não durmo para descansar...
Agora simplesmente durmo para sonhar...


(Walt Disney)


Beijinhos no coração!!!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

GALHO DE ESPINHOS....


Um dia, alguém colocou um galho cheio
de espinhos no meu caminho...
Sofri...
Machuquei-me...
Perdi a auto-estima...
Impossível evitar as feridas...


Plantei esse galho no meu jardim interior.
O galho murchou e à sua volta,
muito capim, muita erva daninha...



Mas os espinhos, vivos permaneceram...
Continuaram ferindo-me a alma...
Muitos anos depois, o galho brotou
mostrando que não morrera...
E vieram folhas...
E quantas rosas vieram alegrar o meu jardim!



Fiz questão de escolher o mais belo dos botões
para retribuir o presente do galho cheio de espinhos...
Enviei junto o melhor dos meus sorrisos...



Meu jardim interior não deixará de florir...
O sofrimento maltrata,mas, hoje,cultivo flores...
Tento esquecer as cicatrizes que os espinhos deixaram...
Quando olhá-las, lembrarei...
Mas já não doem mais...
Encaro a dor como um trampolim para a felicidade.



SER FELIZ EXIGE LUTA ...


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Razão e Paixão


Razão e Paixão
**
Vossa alma é,muitas vezes,
um campo de batalha,no qual
vossa razão e vosso julgamento
entram em guerra contra vossa paixão
e vosso desejo.


Se eu pudesse,seria o pacificador
da vossa alma.Se eu pudesse,
transformaria a discórdia
e a rivalidade dos vossos elementos
em unidade e melodia.


Mas como poderia,a não ser que vós
mesmos também sejais o pacificador,
ou,os amantes de todos os vossos
elementos?


Vossa razão e vossa paixão
são o leme e as velas da vossa
alma navegadora.


Se as vossas velas ou vosso leme
estiverem quebrados,podereis apenas
ser sacudidos e sem rumo,ou até mesmo
ficar presos em uma calmaria
no mar interior.


Pois a razão, governando sozinha,
é uma força que confina;e a paixão,
sem cuidado,é uma chama que queima
até destruir.


Portanto,deixai que vossa alma
exalte vossa razão até a altura
da paixão,para que ela possa cantar;


E que a vossa paixão seja dirigida
pela razão,para que vossa paixão
possa viver a sua própria
ressurreição diária,e como a fênix,
ressurja de suas próprias cinzas.


Gostaria que considerásseis vosso
julgamento e vosso desejo como dois
hóspedes amados em vossa casa.


Certamente, não venerais mais
um hóspede que outro,pois aquele
que respeita um mais que o outro
perde o amor e a fé de ambos.


Entre as colinas,quando vós sentardes
à sombra fresca dos brancos álamos,
compartilhando da paz e da serenidade
dos campos distantes- deixai
que vosso coração diga em silêncio:
"Deus descansa na razão".


E quando vier a tempestade,
e o poderoso vento sacudir a floresta,
e o raio e o trovão proclamarem
a magestade do céu - deixai
que vosso coração diga em adoração:
"Deus move-se com paixão".

É como sois um sopro da esfera de Deus,
e uma folha na floresta de Deus,
também deveis descansar na razão
e mover-vos na paixão.

(Khalil Gibran -O Profeta)


Beijinhos no coração!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

"Se Eu Fosse Eu"


Quando eu não sei onde guardei um papel
importante e a procura revela-se inútil,
pergunto-me:se eu fosse eu e tivesse
um papel importante para guardar,
que lugar escolheria?
Às vezes dá certo.
Mas muitas vezes fico tão pressionada
pela frase "se eu fosse eu",
que a procura do papel se torna secundária,
e começo a pensar, diria melhor SENTIR.


E não me sinto bem.Experimente:se você fosse
você,como seria e o que faria?
Logo de início se sente um constrangimento:
a mentira em que nos acomodamos
acabou de ser movida do lugar onde se acomodara.
No entanto já li biografias de pessoas que de
repente passavam a ser elas mesmas
e mudavam inteiramente de vida.


Acho que se eu fosse realmente eu,
os amigos não me cumprimentariam na rua,
porque até minha fisionomia teria mudado.
Como? Não sei.


Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu,
não posso contar. Acho por exemplo,que por um
certo motivo eu terminaria presa na cadeia.
E se eu fosse eu daria tudo que é meu
e confiaria o futuro ao futuro.


"Se eu fosse eu" parece representar o nosso
maior perigo de viver,
parece a entrada nova no desconhecido.


No entanto tenho a intuição de que,
passadas as primeiras chamadas loucuras
da festa,teriamos enfim a experiência do mundo.
Bem sei, experimentaríamos emfim em pleno
a dor do mundo.
E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir.
Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase
de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar.
Não,acho que já estou de algum modo adivinhando,
porque me senti sorrindo e também senti uma espécie
de pudor que se tem diante do que é grande demais...

(Clarice Lispector)


segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Uma Aprendizagem


"Uma das coisas que aprendi
é que se deve viver apesar de.
Apesar de, se deve comer.
Apesar de, se deve amar.
Apesar de, se deve morrer.
Inclusive muitas vezes
é o próprio ‘apesar de’
que nos empurra para a frente.
Foi o ‘apesar de’ que me deu
uma angústia que insatisfeita,
foi a criadora de minha
própria vida"
(Clarice Lispector)


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Agora Sei...



"Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade
que não sei usar. Grande responsabilidade
da solidão. Quem não é perdido não conhece a
liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo
a minha solidão. Que às vezes se extasia como
diante de fogos de artíficio. Sou só e tenho
que viver uma certa glória íntima que na
solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio.
Guardo o seu nome em segredo.
Preciso de segredos para viver."
(CLARICE LISPECTOR)



quarta-feira, 6 de agosto de 2008

...Um Sorriso...


Vinha caindo a tarde. Era um poente de agosto.
A sombra já enoitava as moutas. A umidade
Aveludava o musgo. E tanta suavidade
Havia, de fazer chorar nesse sol-posto.


A viração do oceano acariciava o rosto
Como incorpóreas mãos. Fosse mágoa ou saudade,
Tu olhavas, sem ver, os vales e a cidade.
- Foi então que senti sorrir o meu desgosto...



Ao fundo o mar batia a crista dos escolhos...
Depois o céu... e mar e céus azuis: dir-se-ia
Prolongarem a cor ingênua de teus olhos...



A paisagem ficou espiritualizada.
Tinha adquirido uma alma. E uma nova poesia
Desceu do céu, subiu do mar, cantou na estrada...
(Manuel Bandeira )


Beijinhos no coração!


sexta-feira, 4 de julho de 2008

Estar Contente...


Não, eu não quero ser feliz...
Descobri que a felicidade cansa,
demora demais para ser alcançada,
por isso resolvi ser e estar contente.


Isso mesmo, quero estar contente
com o que conquistei hoje,
mesmo que seja o mesmo de ontem,
não importa, sigo rindo, até de mim mesmo,
de algumas bobagens que falo ou faço,
e isso me deixa livre...


Quero estar contente com a minha família,
ela é preciosa e me motiva na alegria.
Quero estar contente com a minha saúde,
as vezes caio de cama, mas, levanto rápido,
porque enxergo a vida lá na frente,
e lá na frente eu estou curado.


Quero estar contente com esse trabalho,
pois até aparecer outro,
é desse que vou tirar meu sustento.
Quero estar contente com esse dia,
não importa se é chuvoso ou tórrido,
é o dia que Deus meu deu, e por ser"meu",
quero vivê-lo intensamente.


Quero estar contente com esse amor,
esse que vivo hoje, que me satisfaz,
por que sei que somos inconstantes,
e até o amor de hoje,
amanhã pode não ser como antes,
mas hoje, estou contente com esse amor.


Por isso, a felicidade que me desculpe,
mas eu quero mesmo é viver contente,
prefiro perseguir a alegria de hoje
que está a mão,
à felicidade que as vezes parece utopia,
sonho distante que não quero perseguir,
quero apenas estar contente
e seguir adiante...

(Paulo Roberto Gaefke)

Beijinhos no seu coração!!!


sexta-feira, 27 de junho de 2008

Brejo das Almas




Fui em busca de vãs utopias.
Lutei contra moinhos de vento.
Dei murros em ponta de faca.


Quis reter o ultimo raio de sol
Do poente...
E a ultima gota de água
Da chuva...


Guardei vaga-lumes brilhantes
Em redomas translúcidas...
Guardei os girinos do rio
Em aquários de vidro...


Enchi vidros de água
Com giz colorido.
Quis reter suas cores...
Acreditei...que não desbotariam.


Desbotam...


As águas...As roupas no varal...As aquarelas...
Desbotam os olhos...e as fotografias...


Não venci os moinhos de vento...
Tenho as mãos machucadas
Das pontas de faca....


O sol não me deu o seu ultimo raio...
E a chuva negou-me sua última gota...


Vaga-lumes não fizeram brilhar
Minha lanterna mágica...
E os girinos do rio não se tornaram
Peixes coloridos...


Viraram sapos!


Que inda hoje coaxam
No brejo das almas...
Onde mora a saudade...
(Nydia Bonetti)


terça-feira, 3 de junho de 2008

Mãe Desnecessária...



A boa mãe é aquela que vai se tornando
desnecessária com o passar do tempo.
Uma batalha interna hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para
controlar a super-mãe que todas temos
dentro de nós, lembro logo da
frase, hoje absolutamente clara. Se eu
fiz o meu trabalho direito, tenho que
me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe, apressada venha
me acusar de desamor, preciso explicar
o que significa isso. Ser “desnecessária”
é não deixar que o amor incondicional
de mãe, que sempre existira, provoque
vício e dependência nos filhos,
como uma droga, a ponto de eles
não conseguirem ser autônomos,
confiantes e independentes.
Prontos para traçar seu rumo,
fazer suas escolhas,
superar suas frustrações
e cometer os próprios erros também.
Mães – solidárias –
criam filhos para serem livres.
Esse é o maior desafio e a principal
missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessárias”,
nos tranformamos em porto seguro para
quando eles decidirem atracar.

(Márcia Neder)


Encontrei este texto no blog
- Olhando de Frente -
da minha amiga virtual Lúcia,
ele diz exatamente o que aprendi
a respeito de criar filhos...
não é fácil,as vezes dói muito
ver nossos filhotinhos crescidos
partirem para longe...,mas para
ser feliz é preciso andar com
as próprias pernas...
Liberdade é uma palavra linda,porém
rima com a palavra responsabilidade
essencial no crescimento humano.

Beijinhos no coração!!!