quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Minha alma...

Minha alma tem o peso da luz,

         tem o peso da música,

         tem o peso da palavra nunca dita,

         talvez prestes a ser dita,

         tem o peso de uma lembrança,

         tem o peso de uma saudade,

         tem o peso de um olhar

         como uma ausência pesa

         e a lágrima que não chora

         tem o intangível da solidão...

(Clarice Líspector)

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Selfie...

 



Como é por dentro outra pessoa?

Quem é que o saberá sonhar?

A alma de outrem é outro universo

Com que não há comunicação possível,

Com que não há verdadeiro entendimento.


Nada sabemos da alma

Senão da nossa;

As dos outros são olhares,

São gestos, são palavras,

Com a suposição

De qualquer semelhança no fundo.

(Fernando Pessoa)❤


domingo, 20 de janeiro de 2019

...Amar... Quanto mais envelheço, quanto mais insípidas me parecem as pequenas satisfações que a vida me dá, mais claramente compreendo onde devo procurar a fonte das alegrias da vida. Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo. O dinheiro não é nada, o poder não é nada. Vejo tanta gente que tem dinheiro, poder, e mesmo assim é infeliz. A beleza não é nada. Vejo homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza. Também a saúde não conta tanto assim. Cada um tem a saúde que sente. Há doentes cheios de vontade de viver e há sadios que definham angustiados pelo medo de sofrer. A felicidade é amor, só isto. Feliz é quem sabe amar. Feliz é quem pode amar muito. Mas amar e desejar não é a mesma coisa. O amor é o desejo que atingiu a sabedoria. O amor não quer possuir. O amor quer somente amar. ( Herman Hesse)

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Saudades...




Encher o peito de você 
É minha maneira de viver 
Por isso não poderia te apagar ou esquecer
O velho cheiro misturado com orvalho 
É como te sentir, então sinto e me calo
Quem sabe a noite com a brisa suave
Em alguma esquina teu cheiro me ache

É a saudade que me faz recordar
Melhor maneira de te resgatar 
Porque você mora em mim 
Foi ali, precisou partir...
Deixou tanto amor no meu coração 
Que desmerece explicação 
Só sei que posso dar e vender 
Porque assim era você...

Segue a vida, essa festa de aparência
E eu fiquei aqui com minha sentença
Buscando teu cheiro na ausência 
E exalando tristeza como essência 
Por isso sigo cultivando tua presença. 
Encher meu peito de você 
É a minha maneira de viver.

(Ana Paula Moraes) 


segunda-feira, 31 de agosto de 2015

"O vazio é uma possibilidade, uma lacuna a ser preenchida, um espaço para uma decoração nova. Precisamos de páginas em branco para que nasçam poemas, de recipientes disponíveis, de um coração espaçoso, de uma alma livre, de uma mente aberta. O vazio só existe para os desapegados, para os que suportam e celebram o silêncio que possibilita-nos ouvir os sussurros da intuição e não os gritos infantis dos desejos imediatos."

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

...Clarice Lispector...

* Clarice Lispector *
Clarice, veio de um mistério, partiu para outro.

Ficamos sem saber a essência do mistério. Ou o mistério não era essencial, era Clarice viajando nele.

Era Clarice bulindo no fundo mais fundo, onde a palavra parece encontrar sua razão de ser, e retratar o homem.

O que Clarice disse, o que Clarice viveu por nós em forma de história em forma de sonho de história em forma de sonho de sonho de história (no meio havia uma barata ou um anjo?) não sabemos repetir nem inventar. São coisas, são jóias particulares de Clarice que usamos de empréstimo, ela dona de tudo.

Clarice não foi um lugar-comum, carteira de identidade, retrato. De Chirico a pintou? Pois sim.

O mais puro retrato de Clarice só se pode encontrá-lo atrás da nuvem que o avião cortou, não se percebe mais.

De Clarice guardamos gestos. Gestos, tentativas de Clarice sair de Clarice para ser igual a nós todos em cortesia, cuidados, providências. Clarice não saiu, mesmo sorrindo. Dentro dela o que havia de salões, escadarias, tetos fosforescentes, longas estepes, zimbórios, pontes do Recife em bruma envoltas, formava um país, o país onde Clarice vivia, só e ardente, construindo fábulas.

Não podíamos reter Clarice em nosso chão salpicado de compromissos. Os papéis, os cumprimentos falavam em agora, edições, possíveis coquetéis à beira do abismo. Levitando acima do abismo Clarice riscava um sulco rubro e cinza no ar e fascinava.

Fascinava-nos, apenas. Deixamos para compreendê-la mais tarde. Mais tarde, um dia... saberemos amar Clarice.

(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 20 de outubro de 2012

A Mágoa Dói


A Magóa Dói

A mágoa é um sentimento triste e pesado.
É sentimento que dói, que machuca, que fere.
A mágoa faz com que fiquemos remoendo e remexendo
aquilo que nos causou sofrimento.
A mágoa surge em algum momento,
quando alguém nos fere com palavras ou atitudes,
e não conseguimos perdoar. Aquele que fere, que ofende
e não respeita o seu próximo, não aprendeu ainda o que é sentir o amor,
de que tanto nos falou o Mestre Jesus, há mais de dois mil anos atrás.
Assim, diante de uma situação dessas,
não deixemos que esse sentimento nos envolva,
pois a mágoa prejudica apenas aquele que a sente,
pois nos impede de sermos felizes,
de caminharmos e descobrirmos quão maravilhosa é a vida.
Usemos do antídoto contra a mágoa: o perdão,
lembrando que aquele que fere, nem sempre sabe o que faz,
e ainda assim, chegará o dia em que sua consciência o acusará,
mostrando a ele os seus erros, os quais terá de reparar um dia.
Busquemos pensar somente nas coisas boas, nos sentimentos nobres.
Não permeneçamos agarrados à mágoa,pois trata-se de uma carga
pesada demais para carregarmos sobre os nossos ombros, além de ser inútil.
Digamos que é um peso morto, que nada nos acrescentará.
Perdoemos e não olhemos para trás.
Peçamos ajuda ao nosso Pai misericordioso
porque Ele não nos abandona jamais.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Charles Dickens

"Neste mundo nunca somos mais bem enganados do que por nós mesmos. Que aceitemos de outros, ingenuamente, uma moeda falsa, já é bastante inconcebível à luz do bom senso; mas que em perfeito conhecimento de causa tomemos por dinheiro bom as moedas falsas fabricadas por nós mesmos, é sem dúvida um fenômeno psicológico dos mais curiosos! Se um amável desconhecido, sob pretextos de pôr em segurança o nosso dinheiro, consegue que lho demos, e nos fornece como garantia um punhado de cascas de nozes, certamente ficaremos muito surpreendidos quando vimos que fomos ludibriados. No entanto, o que é uma falcatrua em comparação com o que fazemos quando guardamos cascas de nozes como se fossem moedas de ouro?"
(Livro GRANDES ESPERANÇAS,- Ano 1942 - Pag. 242)

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

...Mãe Desnecessária...
A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Uma batalha interna hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária. Antes que alguma mãe, apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existira, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. Mães – solidárias – criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser “desnecessárias”, nos tranformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar. (Márcia Neder)
Este texto diz exatamente o que a vida me ensinou a respeito de criar filhos... não é fácil,as vezes dói muito ver nossos filhotinhos crescidos partirem para longe...,mas para ser feliz é preciso andar com as próprias pernas... Liberdade é uma palavra linda,porém rima com a palavra responsabilidade essencial no crescimento humano.
Beijinhos no seu coração!!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Rio e o Oceano


Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada, os cumes, as montanhas, o longo
caminho sinuoso através das florestas, através dos povoados, e vê à sua
frente um oceano tão vasto que entrar nele nada mais é do que desaparecer
para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência.
Você pode apenas ir em frente. O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo desaparece Porque apenas
então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano,
Mas tornar-se oceano. Por um lado é desaparecimento e por outro lado
é renascimento. Assim somos nós, voltar é impossível na existência.
Você pode ir em frente e se arriscar. Coragem, torne-se oceano!
(desconheço o autor)

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segunda-feira, 11 de julho de 2011

O Poema


Dia desses...
na pausa de todo o caos
e do meu viver concreto
li teu poema predileto.
No silêncio em revés
lembrei-me de teus pés
E diante do nada
cerrei meu olhar.


Renúncia...
vício maldito!
Tornei mudo o meu grito
e no dito pelo não dito
sigo acorrentada...
Pelo pranto abafado...
e pela tua risada
hoje calada...


Diante dessa sina
do silêncio vil,
meu olhar quase senil
se refugia... absorto...
E ante ao poema morto
construo outras linhas...
que não são mais tuas
mas tampouco são minhas...


Beijinhos de luz na sua alma!!!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

...Canção Exêntrica...


Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
projeto-me num abraço
e gero uma despedida.


Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.


Meu coração de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
--saudosa do que não faço,
--do que faço, arrependida.

(Cecília Meireles)


Beijinhos de luz na sua alma!!!


sábado, 23 de abril de 2011

Gosto...



"Gosto dos venenos mais lentos,
das bebidas mais amargas,
das idéias mais insanas,
dos pensamentos mais complexos,
dos sentimentos mais fortes…
tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco
que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas,
por que eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim,
por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual,
por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma,
mas com certeza não serei a mesma pra sempre"

(Clarice Lispector)

Beijinhos de luz na sua alma!!!

sábado, 16 de abril de 2011

Nostalgia...


Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz.
Eu nunca fui livre na minha vida inteira.
Por dentro eu sempre me persegui.
Eu me tornei intolerável para mim mesma.
Vivo numa dualidade dilacerante.
Eu tenho uma aparente liberdade,
mas estou presa dentro de mim.

(Clarice Lispector)


Beijinhos de luz na sua alma!!!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Natal!!!


"Construir um ser humano,
um nós,
é um trabalho que não dá férias
nem concede descanso:
haverá paredes frágeis,
cálculos malfeitos,
rachaduras.
Quem sabe um pedaço
que vai desabar?
Mas se abrirão também janelas
para a paisagem
e varandas para o sol"
(Lya Luft)
Beijinhos no Coração!!!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Vida...



“A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida.
Eu gostaria que na correria da época atual
a gente pudesse se permitir, criar,
uma pequena ilha de contemplação,de autocontemplação,
de onde se pudesse ver melhor todas as coisas:
com mais generosidade, mais otimismo,
mais respeito, mais silêncio, mais prazer.
Mais senso da própria dignidade,
não importando idade, dinheiro,
cor, posição, crença.Não importando nada”.
(Lya Luft)

Beijinhos no Coração!!!


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Basta Existir....


A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém
quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.


Basta existir para ser completo.


Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem
parentesco nenhum comigo.


Outras vezes, ouço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento
vale a pena ter nascido.
(Fernado Pessoa)