domingo, 14 de dezembro de 2008

Alquimista...


Eu, alquimista de mim mesma.
Sou uma mulher que se devora?
Não, é que vivo em eterna mutação,
com novas adaptações a meu renovado
viver e nunca chego ao fim de cada
um dos meus modos de existir.
Vivo de esboços não acabados e vacilantes.
Mas equilibro-me como posso entre mim e eu,
entre mim e os homens, entre mim e o Deus.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Aprendi e Decidi...


E assim,depois de muito esperar,
num dia como outro qualquer,
decidi triunfar...


Decidi não esperar as oportunidades
e sim,eu mesma buscá-las.


Decidi ver cada problema
como uma oportunidade de
encontrar uma solução.


Decidi ver cada deserto
como um oásis.


Decidi ver cada dia como uma
nova oportunidade de ser feliz.


Naquele dia, descobri que meu único rival
não era mais que minhas próprias limitações
e que enfrentá-las era a única
e melhor forma de superá-las


Naquele dia,descobri que eu não era o melhor
e que talvez eu nunca tenha sido.


Deixei de me importar com quem ganha
ou perde,agora, me importa simplesmente
saber melhor o que fazer.


Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima,
e sim não deixar de subir.


Aprendi que o melhor triunfo que posso ter,
é ter o direito de chamar a alguém de "Amigo".


Descobri que o amor é mais que um simples
estado de enamoramento,
"o amor é uma filosofia de vida".


Naquele dia,deixei de ser um reflexo
dos meus escassos triunfos passados
e passei a ser a minha própria tênue
luz deste presente.


Aprendi que de nada serve ser luz se
não vai iluminar o caminho dos demais.


Naquele dia,decidi trocar tantas coisas...


Naquele dia,aprendi que os sonhos são
somente para fazer-se realidade.


E desde aquele dia,já não durmo para descansar...
Agora simplesmente durmo para sonhar...


(Walt Disney)


Beijinhos no coração!!!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

GALHO DE ESPINHOS....


Um dia, alguém colocou um galho cheio
de espinhos no meu caminho...
Sofri...
Machuquei-me...
Perdi a auto-estima...
Impossível evitar as feridas...


Plantei esse galho no meu jardim interior.
O galho murchou e à sua volta,
muito capim, muita erva daninha...



Mas os espinhos, vivos permaneceram...
Continuaram ferindo-me a alma...
Muitos anos depois, o galho brotou
mostrando que não morrera...
E vieram folhas...
E quantas rosas vieram alegrar o meu jardim!



Fiz questão de escolher o mais belo dos botões
para retribuir o presente do galho cheio de espinhos...
Enviei junto o melhor dos meus sorrisos...



Meu jardim interior não deixará de florir...
O sofrimento maltrata,mas, hoje,cultivo flores...
Tento esquecer as cicatrizes que os espinhos deixaram...
Quando olhá-las, lembrarei...
Mas já não doem mais...
Encaro a dor como um trampolim para a felicidade.



SER FELIZ EXIGE LUTA ...


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Razão e Paixão


Razão e Paixão
**
Vossa alma é,muitas vezes,
um campo de batalha,no qual
vossa razão e vosso julgamento
entram em guerra contra vossa paixão
e vosso desejo.


Se eu pudesse,seria o pacificador
da vossa alma.Se eu pudesse,
transformaria a discórdia
e a rivalidade dos vossos elementos
em unidade e melodia.


Mas como poderia,a não ser que vós
mesmos também sejais o pacificador,
ou,os amantes de todos os vossos
elementos?


Vossa razão e vossa paixão
são o leme e as velas da vossa
alma navegadora.


Se as vossas velas ou vosso leme
estiverem quebrados,podereis apenas
ser sacudidos e sem rumo,ou até mesmo
ficar presos em uma calmaria
no mar interior.


Pois a razão, governando sozinha,
é uma força que confina;e a paixão,
sem cuidado,é uma chama que queima
até destruir.


Portanto,deixai que vossa alma
exalte vossa razão até a altura
da paixão,para que ela possa cantar;


E que a vossa paixão seja dirigida
pela razão,para que vossa paixão
possa viver a sua própria
ressurreição diária,e como a fênix,
ressurja de suas próprias cinzas.


Gostaria que considerásseis vosso
julgamento e vosso desejo como dois
hóspedes amados em vossa casa.


Certamente, não venerais mais
um hóspede que outro,pois aquele
que respeita um mais que o outro
perde o amor e a fé de ambos.


Entre as colinas,quando vós sentardes
à sombra fresca dos brancos álamos,
compartilhando da paz e da serenidade
dos campos distantes- deixai
que vosso coração diga em silêncio:
"Deus descansa na razão".


E quando vier a tempestade,
e o poderoso vento sacudir a floresta,
e o raio e o trovão proclamarem
a magestade do céu - deixai
que vosso coração diga em adoração:
"Deus move-se com paixão".

É como sois um sopro da esfera de Deus,
e uma folha na floresta de Deus,
também deveis descansar na razão
e mover-vos na paixão.

(Khalil Gibran -O Profeta)


Beijinhos no coração!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

"Se Eu Fosse Eu"


Quando eu não sei onde guardei um papel
importante e a procura revela-se inútil,
pergunto-me:se eu fosse eu e tivesse
um papel importante para guardar,
que lugar escolheria?
Às vezes dá certo.
Mas muitas vezes fico tão pressionada
pela frase "se eu fosse eu",
que a procura do papel se torna secundária,
e começo a pensar, diria melhor SENTIR.


E não me sinto bem.Experimente:se você fosse
você,como seria e o que faria?
Logo de início se sente um constrangimento:
a mentira em que nos acomodamos
acabou de ser movida do lugar onde se acomodara.
No entanto já li biografias de pessoas que de
repente passavam a ser elas mesmas
e mudavam inteiramente de vida.


Acho que se eu fosse realmente eu,
os amigos não me cumprimentariam na rua,
porque até minha fisionomia teria mudado.
Como? Não sei.


Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu,
não posso contar. Acho por exemplo,que por um
certo motivo eu terminaria presa na cadeia.
E se eu fosse eu daria tudo que é meu
e confiaria o futuro ao futuro.


"Se eu fosse eu" parece representar o nosso
maior perigo de viver,
parece a entrada nova no desconhecido.


No entanto tenho a intuição de que,
passadas as primeiras chamadas loucuras
da festa,teriamos enfim a experiência do mundo.
Bem sei, experimentaríamos emfim em pleno
a dor do mundo.
E a nossa dor aquela que aprendemos a não sentir.
Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase
de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar.
Não,acho que já estou de algum modo adivinhando,
porque me senti sorrindo e também senti uma espécie
de pudor que se tem diante do que é grande demais...

(Clarice Lispector)


segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Uma Aprendizagem


"Uma das coisas que aprendi
é que se deve viver apesar de.
Apesar de, se deve comer.
Apesar de, se deve amar.
Apesar de, se deve morrer.
Inclusive muitas vezes
é o próprio ‘apesar de’
que nos empurra para a frente.
Foi o ‘apesar de’ que me deu
uma angústia que insatisfeita,
foi a criadora de minha
própria vida"
(Clarice Lispector)


sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Agora Sei...



"Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade
que não sei usar. Grande responsabilidade
da solidão. Quem não é perdido não conhece a
liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo
a minha solidão. Que às vezes se extasia como
diante de fogos de artíficio. Sou só e tenho
que viver uma certa glória íntima que na
solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio.
Guardo o seu nome em segredo.
Preciso de segredos para viver."
(CLARICE LISPECTOR)



quarta-feira, 6 de agosto de 2008

...Um Sorriso...


Vinha caindo a tarde. Era um poente de agosto.
A sombra já enoitava as moutas. A umidade
Aveludava o musgo. E tanta suavidade
Havia, de fazer chorar nesse sol-posto.


A viração do oceano acariciava o rosto
Como incorpóreas mãos. Fosse mágoa ou saudade,
Tu olhavas, sem ver, os vales e a cidade.
- Foi então que senti sorrir o meu desgosto...



Ao fundo o mar batia a crista dos escolhos...
Depois o céu... e mar e céus azuis: dir-se-ia
Prolongarem a cor ingênua de teus olhos...



A paisagem ficou espiritualizada.
Tinha adquirido uma alma. E uma nova poesia
Desceu do céu, subiu do mar, cantou na estrada...
(Manuel Bandeira )


Beijinhos no coração!


sexta-feira, 4 de julho de 2008

Estar Contente...


Não, eu não quero ser feliz...
Descobri que a felicidade cansa,
demora demais para ser alcançada,
por isso resolvi ser e estar contente.


Isso mesmo, quero estar contente
com o que conquistei hoje,
mesmo que seja o mesmo de ontem,
não importa, sigo rindo, até de mim mesmo,
de algumas bobagens que falo ou faço,
e isso me deixa livre...


Quero estar contente com a minha família,
ela é preciosa e me motiva na alegria.
Quero estar contente com a minha saúde,
as vezes caio de cama, mas, levanto rápido,
porque enxergo a vida lá na frente,
e lá na frente eu estou curado.


Quero estar contente com esse trabalho,
pois até aparecer outro,
é desse que vou tirar meu sustento.
Quero estar contente com esse dia,
não importa se é chuvoso ou tórrido,
é o dia que Deus meu deu, e por ser"meu",
quero vivê-lo intensamente.


Quero estar contente com esse amor,
esse que vivo hoje, que me satisfaz,
por que sei que somos inconstantes,
e até o amor de hoje,
amanhã pode não ser como antes,
mas hoje, estou contente com esse amor.


Por isso, a felicidade que me desculpe,
mas eu quero mesmo é viver contente,
prefiro perseguir a alegria de hoje
que está a mão,
à felicidade que as vezes parece utopia,
sonho distante que não quero perseguir,
quero apenas estar contente
e seguir adiante...

(Paulo Roberto Gaefke)

Beijinhos no seu coração!!!


sexta-feira, 27 de junho de 2008

Brejo das Almas




Fui em busca de vãs utopias.
Lutei contra moinhos de vento.
Dei murros em ponta de faca.


Quis reter o ultimo raio de sol
Do poente...
E a ultima gota de água
Da chuva...


Guardei vaga-lumes brilhantes
Em redomas translúcidas...
Guardei os girinos do rio
Em aquários de vidro...


Enchi vidros de água
Com giz colorido.
Quis reter suas cores...
Acreditei...que não desbotariam.


Desbotam...


As águas...As roupas no varal...As aquarelas...
Desbotam os olhos...e as fotografias...


Não venci os moinhos de vento...
Tenho as mãos machucadas
Das pontas de faca....


O sol não me deu o seu ultimo raio...
E a chuva negou-me sua última gota...


Vaga-lumes não fizeram brilhar
Minha lanterna mágica...
E os girinos do rio não se tornaram
Peixes coloridos...


Viraram sapos!


Que inda hoje coaxam
No brejo das almas...
Onde mora a saudade...
(Nydia Bonetti)


terça-feira, 3 de junho de 2008

Mãe Desnecessária...



A boa mãe é aquela que vai se tornando
desnecessária com o passar do tempo.
Uma batalha interna hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para
controlar a super-mãe que todas temos
dentro de nós, lembro logo da
frase, hoje absolutamente clara. Se eu
fiz o meu trabalho direito, tenho que
me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe, apressada venha
me acusar de desamor, preciso explicar
o que significa isso. Ser “desnecessária”
é não deixar que o amor incondicional
de mãe, que sempre existira, provoque
vício e dependência nos filhos,
como uma droga, a ponto de eles
não conseguirem ser autônomos,
confiantes e independentes.
Prontos para traçar seu rumo,
fazer suas escolhas,
superar suas frustrações
e cometer os próprios erros também.
Mães – solidárias –
criam filhos para serem livres.
Esse é o maior desafio e a principal
missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessárias”,
nos tranformamos em porto seguro para
quando eles decidirem atracar.

(Márcia Neder)


Encontrei este texto no blog
- Olhando de Frente -
da minha amiga virtual Lúcia,
ele diz exatamente o que aprendi
a respeito de criar filhos...
não é fácil,as vezes dói muito
ver nossos filhotinhos crescidos
partirem para longe...,mas para
ser feliz é preciso andar com
as próprias pernas...
Liberdade é uma palavra linda,porém
rima com a palavra responsabilidade
essencial no crescimento humano.

Beijinhos no coração!!!




terça-feira, 20 de maio de 2008

Eu...

"Eu sou aquela mulher que fez

a escalada da montanha da vida

removendo pedras e plantando

flores".

(Cora Coralina)



sábado, 17 de maio de 2008

Ausência ...


Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada,

aconchegada nos meus braços,

que rio,danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

(Carlos Drummond.de Andrade)



sexta-feira, 16 de maio de 2008

Não Sei...

Não sei se a vida é curta
ou longa demais para nós.
Mas sei que nada do que
vivemos tem sentido,
se não tocarmos o coração
das pessoas.
***
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promover.
***
E isso não é coisa de outro mundo
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja
nem curta,nem longa demais.
Mas que seja intensa,
verdadeira e pura.
Enquanto durar.
***
(Cora Coralina)




segunda-feira, 28 de abril de 2008

Certeza...

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos
sempre recomeçando;
A certeza de que é
preciso continuar;
A certeza de que podemos
ser interrompidos
antes de terminar...

Façamos da interrupção
um novo caminho;
Da queda um passo de dança;
Do medo uma escada;
Do sonho uma ponte;
E da procura...um encontro.
(Fernando Sabino)

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Lugares e Coisas

Lugares e Coisas


Sou o templo
dos meus tantos deuses
criados a esmo e à revelia
para amparar os meus tormentos
para estancar minha sangria

***
Sou a vila
das minhas casas
das tantas e tantas moradas
das lembranças que ficaram
e de tantas que sumiram

***
Sou o relógio
do meu tempo
das minhas horas contadas
dos meus dias de labuta e espera
dos meus dias de ócio e preguiça

***
Sou o livro
da minha vida
dos meus encontros e desencontros
das minhas chegadas e partidas
de tantos sonhos negados
mas outros tantos vividos
do meu riso e do meu pranto
das tantas páginas não lidas

***

terça-feira, 1 de abril de 2008

Poesia sem Sabor


Por mais que eu queira,
não sei das verdades à luz do dia.
Tudo o que eu queria era a poesia
que existia em acordar apressada,
pintar os olhos, alimentar os filhos,
estacionar numa vaga qualquer,
e sorver os rostos que não se sabiam observados.
***
Felicidade não rima com poesia.
Poesia só aparece quando sobra tempo,
quando já não se está ocupado sendo feliz.
***
O silêncio tem sempre dois significados,
e a saudade é a mortalha derradeira de um tempo
que não se quer findo.
A saudade tem mania de aguçar a memória,
de pintar os dias idos de cor-de-rosa,
e acinzentar o que não tem mais.
***
Meu tempo não segue as folhas do calendário,
e hoje não me entendo em vinte e quatro horas.
Nada me alegra tempo suficiente para virar lembrança.
Nada me pertence ou me é destinado.
É como se a areia da ampulheta tivesse acabado
e eu não tivesse me dado conta.
***
E daí?
Preciso apenas escrever lembranças
e versos com sabor de gestação.
Preciso das gargalhadas
e dos choros de madrugada,
dos beijos nas manhãs despercebidas,
da sensação de segurança
e proteção de um amor prometido.
***
A mulher feiticeira está distante das fogueiras,
e a poesia foi dormir mais cedo,
numa cama pequena,que não me cabe,
sob um edredom macio com cheiro de novo.
***
Não sei mais nada desde há muito tempo,
quando a areia deixou de escoar os sonhos,
e todos os vidros se partiram em estilhaços de passado.
O tempo passa,
mas não tenho mais vontade de viajar na incerteza,
depois de todas as certezas desfeitas.
***
As paixões deixam gosto amargo e palavras soltas.
Deixam imagens desconexas e sensação de fracasso.
Não existe verso que me devolva a ilusão.
***
Não quero mais verdades e descobertas,
quero a mentira que me embalava os anos
e me definia os horizontes.
***
Onde estão as ilusões?
Os planos e sonhos de madrugadas à luz de velas?
Mas eu sei que o meu trem passou em disparada,
me deixando na estação, sem nome e sem rumo.
***
Não posso voltar e não sei para onde ir.
Então me sento no banco, ao lado de tantos indigentes que,
no fim das contas, amaram.
(Lilian Maial)

terça-feira, 25 de março de 2008

*SURFISTAS DA VIDA*

Somos todos surfistas da vida!
Deslizamos pelas ondas da experiência em nossos corpos-prancha,
fazendo evoluções em meio aos movimentos do mar de energia
onde nos manifestamos.
Podemos surfar pela vida com graça e alegria
ou podemos quebrar a cara em tombos violentos,
se não tivermos a habilidade necessária.
Viver é surfar! Vida é movimento!
Há muitos oceanos, na Terra e além...
E muitas ondas a conhecer, muitas pranchas e muitas evoluções...
Oxalá possamos transformar nossos corpos em pranchas de sabedoria
e possamos surfar com maestria e amor nesse imenso oceano da Criação.
Possamos aprender com nossos tombos,
pois surfar é preciso...
Aqui na Terra,temos corpos-prancha de várias cores:
negros, amarelos,vermelhos e brancos.
Mas,os surfistas que ocupam essas pranchas são de uma só cor:
a cor da Luz!
Sim, são da mesma cor de Deus!
São da cor da imortalidade!
Pois é, meus amigos surfistas, haja ondas, pranchas, tombos,
evoluções e luz nesse universo de Deus.
Mas, uma coisa as ondas do tempo e da experiência ensinaram-me:
mudam-se as pranchas e os mares, as ondas sobem e descem,
mas os surfistas prosseguem na crista da onda da Eternidade.
São surfistas espirituais nas ondas de Deus...
Parabéns aos surfistas que viajam nas ondas da música,
da poesia,da espiritualidade,do sorriso, e da simplicidade
que agradecem e celebram a magia de viver, sem esperar reconhecimento
ou algum paraíso,
mas, apenas a alegria de surfar nas ondas da vida
com dignidade e simpatia.
(Wagner Borges )

quarta-feira, 19 de março de 2008

Depois de dizer esta dito...

Depois de dizer esta dito...
De tudo o que aprendi
Ficou uma importância:
A palavra é que faz a hora.
Mudam as estações,
muda o mundo
Muda a vida.
A palavra dita permanece.
Com o tempo, amarelece na lembrança
Chega a ficar quase branca.
Ainda assim é nódoa.
(Sílvia Câmara)

sexta-feira, 14 de março de 2008

Rascunho

Quando escrevo
não sei onde chegar.
Percebo o ponto
ao ultrapassa-lo.
O excesso me equilibra.

Reflito-me nos

espaços vazios

entre os poemas.
Nunca nos versos.

Invejo a ausência,
somente o vazio não tem um dono.
O resto é criação de alguém.

Incansável,
procuro pelas palavras
que me inventaram.
Sou órfão de letras.

Desconfio da expressão correta,
do poema exato.
A escrita engana,
inexiste palavra verdadeira.

Como encontrar uma copia fiel?
Como imitar com perfeição?

Tudo que escrevemos e falamos
é imitação.
Só o silêncio é original.

(Fernando Palma)

sexta-feira, 7 de março de 2008

Samsara...

...Roda da Vida...
1.Caminho pela rua.
Há um profundo buraco no passeio
e caio lá dentro.
Estou perdido... não sei que fazer.
A culpa não é minha,
Preciso de uma eternidade para descobrir a saída.

2 . Caminho pela mesma rua.
E lá está um grande buraco no passeio.
Finjo que não o vejo.
Caio outra vez.
Custa-me a acreditar que esteja no mesmo lugar
Mas a culpa não é minha
Ainda preciso de tempo para sair.

3. Caminho pela mesma rua.
Há um profundo buraco no passeio.
Vejo que lá está.
Mas caio... Já é um hábito.
Tenho os olhos abertos,
Sei onde estou
Mas a culpa é minha.
E saio imediatamente.

4. Caminho pela mesma rua.
Há um grande buraco no passeio.
Passo ao lado.

5. Caminho por outra rua!!!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

* Noturno *



Noturno
Tua sombra ficou carimbada
na parede de minha choupana,
e quando vem a escuridão,
tu voltas para assombrar
a minha existência.


E eu, como um menino
que brincou com fogo
neste momento
sinto me vir o medo
e oro para que logo
venha a manhã salvadora.


Percebo que o fim do sonho
trouxe-me a tua ausência
uma saudade imensa de ti
quase um banzo,
invade meu pequeno mundo
e te sinto correndo nas minhas veias
tornando-me irremediavelmente
perdido no teu vício.


E quando acordo
curumim
vivo mais um dia
à espera que a noite volte...

...e tu também!
(Claudio Cardoso)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Alma de Mulher

1.Todas as mulheres sabem que no fundo de si mesma moram muitas outras figuras femininas. Algumas poderosas, outras frágeis; algumas velhas, outras bem jovens. Todas adoram falar e falar, como se o mundo antes de existir,precisasse ser dito.

2.Todas as mulheres conhecem a dor e nenhuma é estranha ao sofrimento. Mas, no final, quando a noite se retira solene, carregando seu véu, a maioria de nós espreguiça e recebe o dia com generosidade renovada e a mesma velha esperança sorrindo nos lábios.

3.Todas as mulheres um dia (ou muitos) se sentiram alheias a si mesmas. E perderam-se num mar de irritação, mau-humor e impaciência. Exaustas mergulharam num Lexotan, em vários copos de vinho, num maço inteiro de cigarros, numa banheira escaldante ou no mais puro desespero. Algumas sucumbiram, só algumas. Como resultado, todas nós carregamos no coração o silêncio desta perda. E reconhecemos com reverência o poder destes abismos.

4.Todas as mulheres, mesmo as muito jovens, sabem que ser mulher é um desafio. Sentem isso no próprio corpo, ou no mínimo desconfiam que irão passar um bocado de tempo tentando provar coisas para o mundo. Nascer mulher, em boa parte do planeta, ainda é afirmar-se acima do destino biológico e apesar das circunstâncias.

5.Todas as mulheres pensam que sabem amar. Mas o amor insiste em rir de nós. E desafia nossas desajeitadas tentativas de dominá-lo ou compreendê-lo. O amor parece um gato que só vem para o nosso colo quando já cansamos de chamar. Aí,a gente ri e ele ronrona sua absurda liberdade enquanto recebe nosso afago no pescoço.

6.Nenhuma mulher deseja a felicidade assim de um jeito genérico. É o encantamento que sentimos quando cumprimos nosso destino de mulher, (que buscamos acima de tudo). E isto inclui muitas coisas bobas, como vestidos novos e cores e mais cores de sapatos, e tantas outras nada bobas, "ele". De preferência, um "ele apaixonado", mas não muito, bonito, mas não muito, inteligente, mas não muito, apaixonado por crianças, mas não tanto quanto por nós, e, o toque final: que surja sempre assim com aquele jeito heróico e descabelado de quem acabou de matar um dragão, por "Nós".

7.Todas as mulheres têm medo. Medo do primeiro beijo, do primeiro encontro, do primeiro emprego, medo de casar, medo de não casar, medo do parto, medo da traição, medo de não conseguir, medo de envelhecer, medo de dizer sim. A cada instante, nossos medos podem nos fazer trancar os dentes, afinar o olhar e ousar o salto. (Ou podem nos empurrar encolhidas para dentro de uma caixa de sapatos. Onde ficamos grudadas, olhando o mundo por um buraquinho...)

8.Todas nós temos um sonho. Nem sempre é um daqueles sonhos nobres, como o de Martin Luther King,que ansiava por um mundo no qual os seres humanos fossem iguais em suas múltiplas e coloridas versões.Não,nossos sonhos muitas vezes são:pequenos; como um jardim ou um carinho; engraçados:usar toda a poupança para ficar com um bumbum igual ao da beldade de plantão na TV; românticos: um cruzeiro pela Grécia, com um grego lindo e de peito largo, absolutamente apaixonado por nós; impossíveis: passar pela vida sem sofrer por amor.

9.Todas nós temos uma sombra. Negra e densa. Ora ela aparece como um sabotador, que mina nossas energias e desmerece nossos esforços. Ora como uma mulher dura e fria, de palavras ásperas e julgamento impiedoso. Não importa como ela venha, você vai reconhecê-la sempre: a sombra tem o seu rosto. Também é fácil reconhecer aquelas entre nós que não ousaram olhar de frente para este rosto transformado. Elas parecem árvores ressequidas e seus ramos balançam sem alegria. Quem se alimenta dos frutos murchos destas árvores experimenta seu sabor ressentido e intolerante. Eventualmente, as tempestades partem ao meio troncos tão secos. Ninguém sente muita falta delas.

10.Todas nós sentimos vez por outra uma vontade de parar de bater as asas na vidraça e aquietar a alma. Esta é a hora de construir um templo para acolher nosso ser feminino. Um lugar onde a gente possa ficar só com nossos mistérios, nossas descobertas e pescar no fundo da alma o encantamento que vai nos tornar, de novo, muito orgulhosas de nós mesma...
(Desconheço a Autoria)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Mundo Interior...

“Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies inviolávies, vales de silêncio e paraísos secretos”… (Saint-Exupéry)